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segunda-feira, 26 de maio de 2014

ainda maio

o dia rolou e fiquei olhando para ele.
ele olhando para mim. faz um tempo que não nos encontrávamos.
no silêncio da casa, almoço.
no silêncio da casa, café.
um chat com uma pessoa querida.
um chat para pensar no amor.
quantos chats para pensar no ex amor.
pensei na árvore e no porquê de nunca ter feito uma oferenda.
alguns cacos espalhados pelo chão, ele lá.
alguns cacos espalhados pelo coração, idéias soltas.
querer juntá-las agora, para ontem.
escrever é assim, às vezes céu, às vezes tédio.

sábado, 3 de novembro de 2012

qual a palavra que nunca foi dita?

Milton Nascimento, Minas. Lembro dele que também adora vinil e de como são potentes os sons que trazem conexão, seja com a letra, seja com a melodia. É outra coisa, para você que acha que coração não fala, fala sim basta ouvir o Milton.
Vontade de escrever um texto corrido, mas não resistir aos entruncamentos, aos breques, aos subentendidos.
Vontade de viver um amor e ter o privilégio de uma experiência mostrar aquilo tudo que eu sinto que era e não aquilo tudo que eu tentava encaixar para fazer sentido. O sentido é muito natural, como uma bolha de sabão que nasce, cresce e um dia morre.
Dançar aquele samba, esquecer das obrigações por um dia e sorrir com leveza por estar voltando para casa. Amar mesmo sendo independente, isso é velho e novo ao mesmo tempo.

sábado, 27 de outubro de 2012

crê ser

Ouvi que as ideias quando estão prontas dão um jeito próprio de se concretizarem. Deixe elas ali, em paz, cultivando. No momento certo elas brotarão. Apressar algo acontecer, portanto, é um abortador.
Para ter paciência e esperar é preciso crer. Um índio disse que ele sabia esperar porque era índio e não tinha outro modo de ser. Dá para aprender a ser índio, in-dios, em deus. Eu sou deus e deus sou eu aqui dentro de mim. Não temer crescer, não temer crer e não temer ser.
Ouvi também que tudo que acontece fora tem relação com o que eu não curei aqui dentro. Deu pressa de novo, mas paciência. A ciência da paz. A arte de ao mesmo tempo aceitar o que eu não posso mudar e mover o que eu puder. Eu ouvi a palavra curar como só uma palavra, não querendo dizer perfeccionismo tampouco perfeição, mas uma palavra que se relaciona com aquilo que eu consigo deixar brotar a cada instante, a cada momento que consigo ver uma questão por um ângulo até então desconhecido para mim. A cada momento que consigo um novo movimento.
Estou cultivando uma vontade de servir e ser servido, o amor é muito mesmo bonito. E eu me pego assim, calada, admirando as coisas da vida. Finalmente estou gostando de crescer.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

outubro do que me lembro

De tudo aquilo que me lembro
Outubro
Um canto para chamar
Um coração para encontrar
Uma casa para repousar

Casa é onde meu coração está
Coração é aquele calor ao te encontrar
Canto é o som que eu posso pronunciar
Outubro
Lembrança de ver de novo verde meu jardim

Das cores eu lembro do verde
Mas também do azul entre nós, meu amor.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

(im)perfeito é o amor

Caiu no meu colo
Pelos pés das goiabeiras,
Pelo braços das mangueiras,
Pelas ervas fratricidas,
Pelas pimentas ardidas,
Fui me aflorando

Eu senti crescendo
O amor das flores humanas
Fui te virando.

Senti seus encantos
Foi me levando
Foi me enredando
Foi me plantando

Na rede das palavras, o olhar declamando
Fui te escalando
Fui me criando
Fui te sugando

Pelas tardes de perfil,
pelos pasmados de abril,
pelos parques do que somos,
com seus bruscos cinamomos,
Fui me espaçando
Fui me espalhando

No inverno da paixão
o abismo
Foi me entristecendo
Foi me apagando
Foi me afastando
Foi me arrastando

Pelas papoulas da cama,
que vão fumando quem ama,
pelas dúvidas rasteiras
de volúveis trepadeiras
Fui te deixando

Fui te esquecendo
nas perpétuas saudades,
pelos goivos do meu peito,
pela luz do amor perfeito,
continuo te buscando, amor
eternamente.

sábado, 9 de junho de 2012

dia dos desnamorados

Desconfiar de um cara amoroso e se abrir para um cara violento. Sensor desligado? Constatar o que é óbvio: ligar o sensor para o afeto........
De repente sentir o peito quente, transbordando de felicidade por sentir a vida de novo ali. O sorriso fácil, de novo, a gargalhada esquentando a barriga, de novo. Enamorada pela vida, de novo.

domingo, 20 de maio de 2012

sábado, 1 de outubro de 2011

Balada do Amor Perfeito

Paulo Mendes Campos

Pelo pés das goiabeiras,
pelo braços das mangueiras,
pelas ervas fratricidas,
pelas pimentas ardidas,
fui me aflorando.

Pelos girassóis que comem
giestas de sol e somem,
por marias-sem-vergonha,
dos entretons de quem sonha
fui te aspirando.

Por surpresas balsaminas,
entre as ferrugens de Minas,
por tantas voltas lunárias,
tantas manhãs cineárias,
fui te esperando.

Por miosótis lacustres,
por teus cântaros ilustres,
pelos súbitos espantos
de teus olhos agapantos,
fui te encontrando.

Pelas estampas arcanas
do amor das flores humanas,
pelas legendas candentes
que trazemos nas sementes,
fui te avivando.

Me evadindo das molduras,
de minhas albas escuras,
pelas tuas sensitivas,
açucenas, sempre-vivas,
fui te virando.

Pela rosa e o resedá,
pelo trevo que não há,
pela torta linha reta
da cravina do poeta,
fui te levando.

Pelas frestas das lianas
de tuas crespas pestanas,
pela trança rebelada
sobre o paredão do nada,
fui te enredando.

Pelas braçadas de malvas,
pelas assembléias alvas
de teus dentes comovidos
pelo caule dos gemidos
fui te enflorando.

Pelas fímbrias de teu húmus,
pelos reclames dos sumos,
sobre as umbelas pequenas
de tuas tensas verbenas,
fui me plantando.

Por tuas arestas góticas,
pelas orquídeas eróticas,
por tuas hastes ossudas,
pelas ânforas carnudas,
fui te escalando.

Por teus pistilos eretos,
por teus acúleos secretos,
pelas úsneas clandestinas
das virilhas de boninas,
fui me criando.

Pelos favores mordentes
das ogivas redolentes,
pelo sereno das zínias,
pelos lábios de glicínias,
fui te sugando.

Pelas tardes de perfil,
pelos pasmados de abril,
pelos parques do que somos,
com seus bruscos cinamomos,
fui me espaçando.

Pelas violas do fim,
nas esquinas do jasmim,
pela chama dos encantos
de fugazes amarantos,
fui me apagando.

Afetando ares e mares
pelas mimosas vulgares
pelos fungos do meu mal,
do teu reino vegetal
fui me afastando.

Pelas gloxínias vivazes,
com seus labelos vorazes,
pelo flor que desata,
pela lélia purpurata,
fui me arrastando.

Pelas papoulas da cama,
que vão fumando quem ama,
pelas dúvidas rasteiras
de volúveis trepadeiras
fui te deixando.

Pelas brenhas, pelas damas
de uma noite, pelos dramas
das raízes retorcidas,
pelas sultanas cuspidas,
fui te olvidando.

Pelas atonalidades
das perpétuas, das saudades,
pelos goivos do meu peito,
pela luz do amor perfeito,
vou te buscando.

sábado, 11 de julho de 2009

Pelo Uruguai


El viento viene
El viento se va
Por la frontera
El viento vien
El viento se va
El hambre viene
El hombre se va
Sin más razón
El hambre viene
El hombre se va
Ruta Babylon...
Por la carretera
La suerte viene
La suerte se va
Por la frontera
La suerte viene
La suerte se va
El hambre viene
El hombre se va
Sin más razón
El hambre viene
El hombre se va
Cuando volverá
Por la carretera


Essa música me veio hoje do fundo da memória, do CD CLANDESTINO, Manu Chao. Andando de bici pelas calles ¨uruguaxas¨ o vento não perdoou... soprou, soprou, soprou..... tão frio e úmido não sobrou nem espaço para o Sol, mesmo presente, nos esquentar....

Mesmo assim as pessoas que encontramos por aqui estão sempre sorrindo, leves e doces. Expressam confiança. O tempo não as fecha para as relações.

E o bom mesmo é poder caminhar por esse mundo encontrando todo esse amor que, ao contrário da fome, é insaciável. Sinto que os uruguaios e as uruguaias sabem disso e por isso o expressam com toda a abundância..... ou não é essa a essência natural do amor?